Futuro na Enfermagem: Onde quem acaba de chegar encontra a sua vocação!

A Catarina assumiu o papel de enfermeira na perfeição. Com o bebé ao colo, percebeu rapidamente a média de peso de um recém-nascido real, nos dias seguintes ao parto.
Um grupo, maioritariamente composto por alunas do secundário, seguia atentamente a nossa estudante de Enfermagem que já está em estágio hospitalar. Dentro da sala de trabalhos que simula o ambiente clínico real, e que tem vista para o quarto onde se observam os doentes internados, há uma panóplia de materiais prontos a serem usados; agulhas, compressas, luvas, sondas nasogástricas, ou sacos para a urina, acompanhados da algália.
Neste momento tudo é uma simulação, os modelos deitados nas camas, o bebé e todo o quadro de uma sala de internamento. Os bonecos de simulação permitem que os estudantes possam treinar, em aulas práticas, a aplicação de várias técnicas de intervenção.
Há maquetes de braços e veias salientes, cateteres e frascos de soro prontos a serem usados e aplicados. E se é para ser real, até o sangue é simulado em frascos, com uma ligeira espessura a mais do que se fosse apenas água misturada com corante.
Este é apenas um dos muitos cenários de um dia em que toda a Escola de Enfermagem se mobiliza para receber os possíveis candidatos ao Ensino Superior. O Dia Aberto acontece todos os anos e supera quaisquer expectativas para quem chega pela primeira vez e para quem repete o ritual a cada ano, mas ainda assim se surpreende com uma afluência cada vez maior.


O sol ainda nasceu há pouco e às instalações já chegaram os quase 100 estudantes voluntários de Enfermagem, assim como alguns Professores. A coordenadora Cristiana Firmino, Professora de Reabilitação, movimenta-se com uma calma que mostra que só a experiência permite liderar equipas assim.
Os grupos de alunos chegam também pontualmente e vão formando círculos, enquanto não começa oficialmente a sessão de boas-vindas conduzida pelo Tomás, estudante do 4.º ano e Membro do Conselho Pedagógico. No auditório, do Edifício da Gulbenkian, os lugares assumem um vasto colorido. Professores, Presidência, Associação de Estudantes e muitos voluntários de Enfermagem reúnem silêncios, sorrisos e expectativa de mais um dia que será dividido em dois grandes turnos para receber os cerca de 300 futuros candidatos à Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa.
A mãe da Filipa também está sentada entre os visitantes, a tentar passar despercebida, na mesma fileira de cadeiras da filha, mas sem se manifestar. A Filipa tem 17 anos e já foi a outras faculdades espreitar o ambiente, mas não está segura o suficiente para tomar todas as decisões sozinha e por isso quis vir acompanhada pela mãe, que comentará mais tarde que “os pais podem ajudar a tomar decisões que vão influenciar os próximos anos de vida”.
A Mariana vem falar enquanto Vice-Presidente da Associação de Estudantes e dar as boas-vindas a um grupo de jovens que a espreitar com a curiosidade de ver um par no caminho mais à frente, para alguém que termina o curso em julho, “Ser Enfermeira é trabalhar com pessoas, ao lado de pessoas e para pessoas”.
Mas assumir a profissão é também “saber escutar o doente quando o silêncio pesa”, sinal de humanismo como característica principal dos profissionais de Enfermagem, esta foi a reflexão do Prof. Óscar Ferreira, Presidente do Conselho Pedagógico. Na casa que tem como  lema “acolher e que não descurar a qualidade pedagógica”, referido pela Coordenadora do curso,  a Profª Anabela Mendes, era possível ver olhares curiosos e sonhadores a absorver as palavras inspiradoras que já os enquadravam no futuro.
E se dúvidas ainda houvesse na cabeça dos alunos do secundário, a Prof. Elizabete Nunes, Vice-Presidente do Conselho Técnico-Científico reforçava que a resposta vem “quando pensamos o que verdadeiramente nos move”.
Entre breves aulas práticas e técnicas interativas de Suporte Básica de Vida (SBV), com notas de alerta sobre Saúde Mental, ou exercícios para pausas ativas, vários foram os Professores que alinharam novo horário para acolher os visitantes e sensibilizar do que se fala, quando se fala em Saúde e Doença.
Entre os cânticos efusivos da Tuna Académica de Enfermagem e as conversas no átrio, entre as diversas bancas da Universidade de Lisboa e grupos de trabalho da Escola, fomos auscultar quem parece não hesitar sobre a sua escolha.


“O que mais gostei aqui foi a interação do dia, passou a correr. E a apresentação da Faculdade foi estimulante” – Filipa.


“O Dia foi muito produtivo porque eu estava em dúvida entre Medicina, Enfermagem e Engenharia Biomédica e senti que aqui dá vontade de fazer as coisas no terreno; de colocar as mãos no trabalho. As salas de simulação são muito importantes para nos aproximar da realidade” – Ana Beatriz.


“Enfermagem é a minha 1ª opção. Esta Escola é a minha escolha. Preciso do contacto com as pessoas e com o paciente. Descansa-me bastante ter simuladores para praticar antes de exercer as técnicas em pessoas reais” – Beatriz.


“A Escola é acolhedora e as salas muito amplas, é bom constatar isso porque esta é a Escola que quero antes de todas as outras”– Matilde.


“As pessoas são muito simpáticas e sabem responder a todas as nossas dúvidas. Esta Escola é a minha 1ª opção, só me faltam mesmo os exames para entrar aqui“– Nádia.


“Nós estamos a estudar para auxiliares de saúde e aquilo que se recria nestas salas é o espelho real do ambiente de um hospital. Por isso estou a sentir uma grande conexão. Depois de terminar a outra formação, conto vir para aqui” – Madalena.
“As palavras dos Professores (no Auditório, com as boas-vindas) tocaram totalmente no meu coração. Emocionaram-me. Pareciam que eram mesmo sentidas, foram palavras aconchegantes” – Daniela.

No fim deste dia de tantas experiências, ficaria na memória a mensagem certeira do Vice-Presidente, o Prof. Paulo Seabra, pois traga aquilo que o futuro trouxer, “a Enfermagem será sempre uma das profissões que não poderá ser substituída por máquinas”.


Esperamos por vocês em setembro?
Até lá, alunos visitantes!
 

Mosaica de fotografias com vários alunos e professores