Hoje à noite há desculpa para colocar a imagem virada para a parede, mas por favor não afogues o Santo António, porque até ele tem limites.
Pois é, hoje dia 12 de junho é a noite de Santo António e diz a tradição que se ele não te arranjar um amor, deverá ficar de castigo até contribuir para a tua felicidade. Se há cidades que podes conhecer apenas por guias turísticos e fotografias de amigos, Lisboa é hoje o teu roteiro perfeito, porque te fala de tradição.
Afinal o que liga o Santo António a Lisboa? Tudo! Porque se pensas que ele nasceu em Pádua, já tens um ponto a menos nesta tua prova de conhecimento. Mas há mais: aquele a quem chamas António, nasceu como Fernando de Bulhões em 1191 e 1195.
Santo António nasceu junto à Sé de Lisboa, no seio de uma família nobre, na qual recebeu uma educação cuidada. Aos vinte anos abraçou a vida religiosa, dedicando-se ao estudo, ao conhecimento e ao serviço dos outros. Aquilo que torna Santo António tão próximo das pessoas não é apenas a sua dimensão religiosa, é sobretudo a forma como a sua história se foi cruzando com os temas relacionados ao amor. Conhecido como o santo casamenteiro, conta-se que terá ajudado jovens sem recursos a reunir as condições necessárias para casar. Uma das histórias mais conhecidas relata a ajuda prestada a uma jovem pobre, permitindo-lhe concretizar o seu casamento.
Daí em diante e ao longo de mais de 800 anos Santo António é o recurso mais usado para apelar ao amor. Mas Santo António é também o santo a quem se apelo quando há objetos perdidos.
Quantas vezes ouvimos alguém dizer: "Santo António, ajuda-me a encontrar as minhas chaves"? A tradição remonta à Idade Média e está associada a um episódio em que um noviço roubou um livro de salmos pertencente ao santo. Após as suas orações e recusando sentir ira, o livro acabou por lhe regressar às mãos, dando origem a uma reza conhecida como o “Responso a Santo António”, onde se pede que nos devolva aquilo que desapareceu.
Santo com responsabilidade, não acham? O jovem Fernando, que nasceu em Portugal, passou por França e Itália, tornando-se uma das figuras mais importantes da Ordem Franciscana. Morreu a 13 de junho de 1231. Foi canonizado menos de um ano depois, num dos processos mais rápidos da história da Igreja Católica.
A Escola, dentro da Universidade e a Universidade dentro de Lisboa.
Todos os anos, na noite de Santo António, a cidade transforma-se em cor, sons e cheiro a grelhados. As ruas param com milhares de pessoas espalhadas por Lisboa, nos bairros mais típicos e históricos e erguem-se rimas e manjericos e bandeirolas coloridas. E ao cair da noite, atiram-se moedas de costas, junto à estátua do Santo a quem se pergunta pelo caminho certo, ou a chave que levará ao carro, ou ao amor. Mais uma tradição que nasceu após o terramoto de 1755. A Igreja de Santo António ficou gravemente danificada e os lisboetas começaram a construir pequenos altares nas ruas, pedindo um "tostãozinho para o Santo António", com o intuito de ajudar na sua reconstrução. A igreja foi recuperada, mas a tradição. Se hoje andares pela cidade de Lisboa encontrarás sinais do Santo António por diversos lugares: nos altares populares das ruas, nas quadras das marchas que desfilarão na avenida e nas imagens do Santo com o Menino Jesus ao colo e um livro na outra mão, símbolo do conhecimento e sabedoria que fizeram dele um dos maiores pregadores do seu tempo. Verás ainda uma açucena branca, como sinal de pureza, integridade e dedicação espiritual. Nesta noite convidamos todos a viver Lisboa para além das aulas, dos exames e dos estágios.
Convidamos a viver a riqueza das tradições, a sentir o poder da História e a celebrar o amor, quer ele já existe, ou ainda não.
Porque, tal como Fernando de Bulhões escolheu colocar o seu conhecimento ao serviço dos outros, também cada estudante de Enfermagem escolheu um caminho de dedicação, humanidade e cuidado.
Não será essa a verdadeira forma de dar amor?
Seja como for, não custa nada pedir uma ajudinha ao Santo.
Feliz Santo António. Feliz noite de Lisboa.