O Futuro da Enfermagem na Expo Emprego

Se houve tempos em que pensar nas saídas profissionais após a conclusão do curso gerava angústia, hoje a Enfermagem contraria todas as tendências de falta de empregabilidade. Atualmente, o finalista de Enfermagem já não se questiona se terá uma vaga no mercado de trabalho; a verdadeira questão reside em encontrar a instituição que melhor se adequa aos seus próprios critérios e aspirações. 

Durante dois dias de um dinâmico networking, hospitais, clínicas privadas e diversas instituições de saúde — desde as grandes unidades de referência a estruturas de cariz mais familiar, todas sediadas na grande área de Lisboa — apresentaram os seus melhores argumentos e propostas de primeira contratação aos futuros profissionais. 

Os dados não deixam margem para dúvidas: a necessidade de integrar enfermeiros nas unidades de saúde é urgente. Representantes de instituições públicas sublinharam que, se todas as vagas estivessem preenchidas, seria possível abrir e ocupar várias camas adicionais nos hospitais, cumprindo a capacidade máxima real prevista. Seja em cuidados paliativos, geriatria, urgência ou qualquer outra especialidade, as instituições apostam fortemente na integração tecnológica e na oferta de formação contínua gratuita. Os ambientes de trabalho revelam-se plurais: desde contextos onde a espiritualidade assume um papel central na conduta diária, até organizações, como a Marinha e Fuzileiros, onde o lema é a pátria, a defesa do mundo e a proteção mútua entre pares. 

O Salário Emocional e a Valorização Humana As propostas atuais vão muito além dos padrões tradicionais de ordenados e horários de trabalho, focando-se no chamado "salário emocional". Os contratos são cada vez mais moldados ao perfil e às necessidades de cada indivíduo: valoriza-se a assiduidade, a proximidade geográfica à habitação e oferecem-se benefícios exclusivos. Quem trabalha na área de Oncologia, por exemplo, usufrui de mais dias de férias; além disso, regalias como estacionamento gratuito, horas extraordinárias pagas, seguros de saúde, massagens de relaxamento e vales de lazer são agora argumentos fortes para atrair e fixar o talento. 

O auditório do Edifício Calouste Gulbenkian encheu-se com cerca de 300 finalistas que procuram o caminho mais lógico a seguir. As opções são variadas: ingressar de imediato no mercado de trabalho, investir num mestrado ou, quem sabe, fazer uma pausa sabática para reflexão. Estas linhas de abordagem definiram a essência da Expo Emprego, um evento que celebra já a sua 4.ª edição e que permite aos estudantes conhecer a realidade do mercado de trabalho através de uma abordagem próxima e atrativa. “Não esperem muito para começar a trabalhar, porque o mercado precisa de todos”, aconselhou uma das enfermeiras convidadas, lembrando que o tempo para decidir o futuro pode ser crucial. 

Um dos pontos mais inspiradores do evento prendeu-se com o facto de grande parte dos oradores que subiram ao palco para representar as suas instituições terem sido, no passado, alunos sentados naquelas mesmas cadeiras. Estudar na antiga ESEL, atual ESEULisboa, continua a ser um cartão de visita de excelência, demonstrando que ali se formam alguns dos melhores profissionais de Enfermagem do mundo. 

 

Enfermeiras em Missões e a Ajuda Humanitária Emergente.

Ao longo dos dois dias de conversas sobre empregabilidade, o desafio passou também por refletir que caminhos possíveis há a seguir diante de um mundo que agora se abre. Convidar figuras da área da saúde, investigação, voluntariado, da segurança e defesa foram alguns dos lugares a visitar para olhar ainda mais longe. A Enfermagem estende-se muito além do quotidiano visível nas unidades de saúde tradicionais e a Expo Emprego promove sempre este lugar de reflexão. Ao longo das gerações, e face ao aumento de catástrofes naturais e conflitos armados, as ações humanitárias têm assumido uma importância geométrica. Mas o que acontece, de facto, no terreno de guerra ou nos locais devastados pela força do planeta? Que enfermeiras partem para outros países com o propósito de ajudar e de que forma regressam a casa? 

De que fibra é feita uma equipa que aceita o desafio de uma missão humanitária? Estas interrogações conduziram uma conversa tocante e inspiradora sobre a resiliência e a entrega destes profissionais em cenários extremos. 

 

A Catástrofe no Dia do Sismo na Venezuela. 

O tema da catástrofe ganhou uma relevância acrescida e imediata ao coincidir com o registo de um sismo na Venezuela. A catástrofe como rutura do quotidiano e a materialização do risco, não deixa de ser um perigo real que prova não acontecer apenas aos outros. Como lidar, então, com a nossa vulnerabilidade perante os riscos naturais? Embora o Estado tenha o dever de agir, cada cidadão deve conhecer os riscos e estar preparado. E se dentro conceito anglo-saxónico de Act of God (força maior/natureza) versus Act of Men (ação humana), entendemos que as forças que o Homem controla são limitadas, como podem os enfermeiros cuidar de si e dos que os rodeiam? 

O Presidente da Escola Nacional de Bombeiros, Lídio Lopes, destacou que, nos primeiros quatro dias de uma catástrofe, o instinto de sobrevivência do próprio enfermeiro ou médico dispara em primeiro lugar: “garantir a sua segurança e a dos seus é essencial para que, logo em seguida, consigam agir com eficácia diante da adversidade”. 

Se enfrentássemos hoje um sismo semelhante ao histórico abalo de 1755, quantos de nós saberiam exatamente como reagir? Seja Bombeiro ou Enfermeiro, ambos, partilham a mesma matriz, como explicou o 2.º Comandante Sub-regional da Grande Lisboa da Proteção Civil, Joaquim Santos: “uma vida de entrega ao próximo e um voluntarismo que desconhece horários rígidos”. Mas e a restante população? Estaria apta para se proteger até chegar a primeira ajuda? 

 

O Caminho da Enfermagem entre os Rumos Apontados. 

No meio de tantos horizontes e caminhos possíveis, onde se posiciona a Enfermagem? A resposta é clara: a Enfermagem permanece presente e vital em todas as frentes. 

Seja no exercício profissional clínico, nas missões humanitárias, na Proteção Civil, na decisão de prosseguir estudos através de um mestrado ou na escolha de uma carreira adaptada aos sonhos, aptidões e exigências de cada um. 

Independentemente do rumo escolhido, o futuro está assegurado. 

Desejamos a todos excelentes escolhas e futuros brilhantes.

Grupo de estudantes abraçados