“Saúde cerebral: acesso para todos” é a campanha desde ano, no Dia Mundial do Cérebro, que destaca a desigualdade no acesso aos cuidados neurológicos. O foco é diminuir os números assustadores que nos dizem que são mais de 3,4 mil milhões de pessoas, ou seja, 40% da população mundial, que vivem atualmente com doenças neurológicas, fazendo destas a principal causa de incapacidade no mundo.
Num mês de grandes tomadas de decisão e em que os nossos alunos do secundário estão a escolher o melhor destino para o seu futuro, queremos recordar que tratar do cérebro é condição obrigatória e fundamental.
E para quem julga ser o coração o dono das emoções, desengane-se, pois hoje o coração não é para aqui chamado.
O centro emocional vive dentro de nós, sim, mas no sistema límbico, mais precisamente numa estrutura pequenina, com formato de amêndoa, e com o nome amígdala. E é de lá que nos chegam os momentos de grande intensidade. É precisamente quando apanhamos um susto, ou nos apaixonamos por alguém, quando sentimos raiva, ou experimentamos a perda, que uns sinais elétricos disparam e a amígdala reage. Gatilho despoletado, aquilo que o cérebro produz são perfeitas fórmulas químicas que resultam na circulação de neurotransmissores. Equilíbrio de forças intensas, a dopamina, o cortisol e a serotonina dão-nos uma sensação de stress, ou paixão, motivação ou pânico. É como imaginar um grupo de crianças pequenas a correr pela creche, sem medir as consequências das emoções, sem refletir nas ações praticadas. Caótico este cérebro? Não propriamente, porque nele também habita o córtex pré-frontal (a parte da frente), ou seja, a parte em que há o "adulto da sala" e que tenta processar toda a informação e emoção, tomando decisões lógicas.
Quando encontramos nós este equilíbrio entre a emoção e a razão? A partir dos 25 anos, já que só aí os jovens adultos ficam com o cérebro a 100%.
Visita guiada ao Cérebro
Tens noção que o teu cérebro nunca descansa? Nem mesmo quando estás a dormir? Para que ele se alimente a energia, o cérebro precisa de ingerir açúcares (dos alimentos) e oxigénio.
Vamos a números?
Sabes que o cérebro pesa entre 1,3 kg a 1,4 kg e que esse peso se reflete apenas em 2% do teu peso corporal total?
Sabes que apesar de ser um pequeno e importante órgão, o cérebro consome cerca de 20% a 25% de toda a energia e oxigénio do teu corpo?
Sabes que o teu cérebro tem aproximadamente cerca de 86 mil milhões de neurónios?
Sabes que o cérebro tem neuroplasticidade? A neurociência demonstra que o cérebro mantém capacidade de adaptação ao longo da vida.
E sabes que tem ainda cerca de 2,5 petabytes de memória? Verdade, é o equivalente a mais de 3 milhões de horas de vídeo em HD, 285 anos de vídeo sem parar, ou ter todos os livros publicados na história da humanidade… multiplicados por 50.
Este dia consagrado em 2014 pela World Federation of Neurology (WFN), serve-nos acima de tudo para mostrar que o cérebro também pode adoecer — AVC, epilepsia, demências, diversos transtornos mentais – já que é um órgão frágil. Há que estar atento aos seus sinais e preservá-lo, o mais possível, de danos que podem ser evitáveis. Cuidar do teu cérebro em primeiro lugar é a garantia que estás mais preparado para então cuidar dos outros e tomar as decisões mais certas.
Fica a receita para o teu bem-estar:
Dorme bem: É a dormir (7h a 9h) que o cérebro faz o "refreh", consolida memórias e limpa toxinas.
O que estás à espera? Mexe-te: O exercício físico liberta BDNF (uma proteína que ajuda a criar novos neurónios) e aumenta a circulação de oxigénio.
Alimenta-o: Gorduras saudáveis (como Ómega-3), frutos secos e água. O teu cérebro é cerca de 75% água — desidratação reflete-se logo no teu foco!
Desliga-te de vez em quando: Pausas na estimulação constante (de ecrãs) evitam o burnout cognitivo e a ansiedade.
Agora que dominas a razão de ser deste dia, desejamos-te foco e assertividade na tua tomada de decisão.
Esperamos por ti em Enfermagem?
Até setembro!