Quando cuidar é estar onde mais faz falta

Chama-se Tomás Serra, é enfermeiro e atualmente estudante de Mestrado. 

Recentemente, partiu para uma missão humanitária em Caué, no sul de São Tomé e Príncipe, como voluntário de Enfermagem, em representação da Amwêlê, uma Associação de Voluntariado e Empreendedorismo. 

Foi apenas uma semana. Mas foi uma semana intensa, exigente e marcante. 

Caué é uma região onde o acesso aos cuidados de saúde diferenciados é limitado. Existe uma pequena unidade de urgência, mas, perante uma situação que exija cuidados especializados, são necessárias várias horas de viagem, por estradas de acesso difícil, até à cidade. 

Foi neste contexto que o Tomás, juntamente com dois enfermeiros e duas médicas, integrou uma equipa que prestou cuidados de saúde à população, numa realidade muito diferente daquela que conhecemos. Durante a manhã, a equipa realizava rastreios à população pediátrica. À tarde, o espaço abria-se a toda a comunidade, recebendo crianças, jovens, adultos e idosos. Foram consultas, avaliação clínica, administração de terapêutica, educação para a saúde e prevenção da doença. Mas foi muito mais do que isso. Foram também momentos de escuta, proximidade e confiança. Porque, em contextos de vulnerabilidade, cuidar não significa apenas tratar uma doença: significa olhar para a pessoa como um todo e criar condições para que possa viver com mais saúde e dignidade. 

A equipa desenvolveu ainda um importante trabalho de educação para a saúde, abordando temas como os abusos de menores, a higiene oral, a prevenção de contaminações e a contraceção. E houve também aprendizagens que ultrapassaram os cuidados clínicos. 

A missão permitiu conhecer de perto as dificuldades de uma comunidade com poucos recursos e perceber que a intervenção humanitária exige competências técnicas, mas também capacidade de adaptação, respeito, empatia e consciência dos próprios limites. Levaram vontade e materiais, trouxeram a experiência e o risco controlado daquilo que eles próprios poderiam ter vivido. Na bagagem trouxeram ainda os lixos contaminados, uma vez que o tratamento dos materiais não tem reciclagem ou incineração.

Como explica o Tomás: “Ser voluntário é oferecer tempo, competências e coração, sem esperar recompensa. É olhar o outro e estar presente com generosidade e empatia. É descobrir que, ao ajudar os outros, também crescemos por dentro.” 

É precisamente este espírito que assinalamos hoje, no Dia Mundial da Ajuda Humanitária. Uma data que nos recorda que, perante guerras, catástrofes, epidemias, crises ou situações de extrema vulnerabilidade, existem profissionais e voluntários que escolhem estar presentes onde as necessidades são maiores e os recursos mais escassos. E, nesses contextos, a Enfermagem assume um papel essencial. Porque os enfermeiros estão na linha da frente: avaliam, intervêm, previnem, tratam, educam, acompanham e cuidam. Em situações de emergência, são muitas vezes fundamentais para garantir cuidados seguros, priorizar necessidades, reduzir riscos e proteger as populações mais frágeis. 

A missão do Tomás é um exemplo disso. Neste Dia Mundial da Ajuda Humanitária, agradecemos a todos os nossos enfermeiros e estudantes de Enfermagem que colocam o conhecimento ao serviço do outro e que, em contextos de emergência ou no quotidiano, assumem uma missão que é maior do que eles próprios: cuidar das pessoas e contribuir para um mundo mais saudável, mais seguro e mais humano. 

Porque ser enfermeiro em missão humanitária é também isto: cuidar na simplicidade, prevenir a doença, tratar na dor e promover a saúde — sempre com proximidade, respeito e humanidade. 

E, em São Tomé, o Tomás descobriu que, por vezes, um gesto simples pode fazer uma diferença imensa na vida de alguém.

fotos de enfermeiro com farda e um bebe ao colo