Escola de Enfermagem chega ao Brasil através de caderneta da grávida

A edição 2026 da Caderneta Brasileira da Gestante, lançada pelo Ministério da Saúde em 12 de maio, traz uma inovação histórica: a inclusão do capítulo “Plano de Puerpério (Plano de Pós‑parto)”, construído a partir de uma colaboração científica entre a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa (ESEULisboa) e a Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP). 

O documento passa agora a ser o instrumento oficial e nacional de acompanhamento e vigilância da gravidez no Brasil, alcançando milhões de mulheres em todo o país. O Plano de Pós‑parto, desenvolvido na Escola de Enfermagem e investigado no CIDNUR, é uma ferramenta educativa que orienta a mulher, o casal e a família na preparação para o período pós‑parto. O documento ajuda a organizar: cuidados físicos e emocionais da mãe; amamentação; cuidados ao recém‑nascido; comunicação e divisão de tarefas no casal rotinas familiares rede de apoio social e profissional procedimentos administrativos e vigilância de saúde.

 Como descreve o texto original, o plano “contribui para uma experiência de pós‑parto positiva”, promovendo autonomia, segurança e bem‑estar.

A versão brasileira do capítulo foi desenvolvida sob coordenação de Carla Marins Silva, Professora da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, com participação de residentes, enfermeiros e docentes da instituição.

A equipa da USP produziu um estudo que resultou numa ferramenta educativa validada por especialistas e publicada na Acta Paulista de Enfermagem. O objetivo é claro: fortalecer a autonomia das mulheres, organizar redes de apoio e promover cuidados físicos e emocionais no puerpério.

Uma sinergia luso‑brasileira inédita.
A Professora Maria João Freitas, da ESEULisboa, e a Mestre Mónica Sendas foram determinantes para tornar o Plano de Pós‑parto visível no Brasil, contribuindo para que o modelo português fosse reconhecido e adotado oficialmente.

A colaboração entre ESEULisboa e EEUSP demonstra um reconhecimento internacional da evidência científica produzida em Portugal, assim como a integração de boas práticas entre dois países com forte tradição em saúde materna, causando um impacto direto na saúde pública brasileira.

Para a ESEULisboa, esta conquista reflete “o reconhecimento internacional do trabalho e da evidência científica produzidos pelo seu corpo docente e formandos”, reforçando o papel da instituição na produção e disseminação de conhecimento com impacto social.

Quantas mulheres em idade fértil vivem no Brasil?
Segundo estimativas demográficas recentes, o Brasil tem entre 47 e 50 milhões de mulheres em idade fértil (15 a 49 anos).

A integração do Plano de Pós‑parto na Caderneta da Gestante significa que dezenas de milhões de brasileiras poderão beneficiar desta ferramenta de apoio, organização e cuidado, que é o mesmo que dizer que a Escola de Enfermagem acabou de atravessar o Atlântico, levando mais uma vez a Enfermagem, como um valor para o mundo!

 

Mulher morena grávida e vestida de branco