Simulação: transforma a aprendizagem e antecipa o futuro dos cuidados de saúde

O Centro de Simulação (C-SIM) da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa  é um espaço pedagógico dedicado ao desenvolvimento de competências clínicas, técnicas, relacionais e de tomada de decisão em contextos simulados, seguros e controlados.

A simulação constitui um eixo estratégico da formação em enfermagem, promovendo a integração entre conhecimento científico, prática profissional e segurança dos cuidados.

Missão

Desenvolver ambientes de aprendizagem imersivos que aproximem o ensino dos contextos de saúde, formando profissionais competentes, críticos e comprometidos com a qualidade, a segurança e o bem-estar das pessoas, sustentados no rigor científico, na inovação e na responsabilidade social.


Mais do que reproduzir cenários clínicos, o Centro de Simulação cria oportunidades para experimentar, decidir, refletir e inovar. Um espaço onde a ciência, a tecnologia e a dimensão humana dos cuidados se encontram para formar os enfermeiros de hoje e preparar os desafios de amanhã.

 

O Centro de Simulação apresentado pela sua Coordenadora, Helga Rafael Henriques, em entrevista de fundo.

 

O que é o C-SIM e o que representa para a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa?

O C-SIM é muito mais do que um conjunto de laboratórios ou equipamentos de simulação. É um espaço de aprendizagem, experimentação e inovação, onde procuramos aproximar o ensino da complexidade dos contextos reais de cuidados de saúde.
A nossa missão é desenvolver ambientes de aprendizagem imersivos que aproximem o ensino dos contextos de saúde, formando profissionais competentes, críticos e comprometidos com a qualidade, a segurança e o bem-estar das pessoas, sustentados no rigor científico, na inovação e na responsabilidade social.
Esta missão traduz o compromisso do C-SIM com uma formação em Enfermagem, ao nível do 1º e 2º Ciclos, que integra o conhecimento científico, a competência técnica, o pensamento crítico e a dimensão humana dos cuidados.
A simulação permite-nos criar uma oportunidade particularmente valiosa: aprender através da experiência, num ambiente seguro, onde é possível experimentar, questionar, errar, corrigir e voltar a tentar, sem comprometer a segurança das pessoas cuidadas.
Mas o que verdadeiramente distingue esta abordagem não é apenas a possibilidade de reproduzir situações clínicas. É a capacidade de transformar cada experiência numa oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional.
No C-SIM, não queremos apenas ensinar a fazer. Queremos ensinar a pensar, a decidir, a comunicar e, acima de tudo, a cuidar.

De que forma a simulação transforma a aprendizagem dos futuros enfermeiros?

A formação em Enfermagem exige muito mais do que a aquisição de conhecimentos científicos ou o domínio de procedimentos técnicos.
Um enfermeiro precisa de saber interpretar situações complexas, reconhecer alterações no estado de saúde, estabelecer prioridades, tomar decisões fundamentadas, comunicar eficazmente e trabalhar em equipa.
É precisamente nesta integração de conhecimentos, competências e atitudes que a aprendizagem baseada em simulação assume particular relevância.
Imagine-se um estudante confrontado com uma pessoa em deterioração clínica. Num ambiente simulado, pode avaliar a situação, identificar sinais de alerta, decidir como intervir, comunicar com a equipa e refletir sobre as consequências das suas decisões.
Esta experiência permite desenvolver competências num ambiente pedagogicamente estruturado, antes da exposição a situações semelhantes na prática clínica.
E há uma dimensão que consideramos fundamental: a reflexão. O momento de análise que se segue à experiência, designado debriefing, permite compreender não apenas o que aconteceu, mas por que aconteceu, que decisões foram tomadas e como poderiam ser melhoradas.
A simulação não substitui a experiência clínica. Prepara os estudantes para dela retirarem maior aprendizagem e para exercerem cuidados com mais segurança, confiança e responsabilidade.

equipa de enfermeiros em formação


Que condições e recursos oferece o C-SIM para concretizar esta missão?

O C-SIM dispõe de diferentes laboratórios, salas de demonstração, espaços de treino e ambientes de simulação, distribuídos pelos edifícios Artur Ravara e Calouste Gulbenkian.
Esta diversidade permite reproduzir diferentes contextos de prestação de cuidados e adaptar as experiências aos objetivos pedagógicos, às competências a desenvolver e aos níveis de formação dos estudantes.
Trabalhamos com simuladores de diferentes níveis de fidelidade, desde modelos destinados à aquisição de competências técnicas até simuladores de elevada complexidade, capazes de reproduzir respostas fisiológicas e situações clínicas dinâmicas.
Integramos também pessoas que desempenham o papel de doentes simulados, tecnologias imersivas e recursos digitais que ampliam as possibilidades de aprendizagem.
As nossas práticas procuram acompanhar as recomendações internacionais, nomeadamente as orientações da International Nursing Association for Clinical Simulation and Learning (INACSL), valorizando o planeamento pedagógico, a qualidade dos cenários, a facilitação e a reflexão estruturada.
Contudo, importa sublinhar uma ideia: a qualidade da simulação não se mede pela sofisticação dos equipamentos, mas pela qualidade da experiência de aprendizagem que conseguimos proporcionar. A tecnologia é um recurso extraordinário, mas a intencionalidade pedagógica continua a ser o elemento central.

Um projeto com esta dimensão exige uma organização própria. Como está estruturado o C-SIM e como se articula com a comunidade académica?

Um centro de simulação não se constrói apenas com espaços, tecnologia e equipamentos. Constrói-se, sobretudo, com pessoas, conhecimento, trabalho colaborativo e uma visão partilhada.
Foi com esta convicção que procurámos desenvolver um modelo de gestão participativo, capaz de articular a orientação estratégica da Escola com as necessidades pedagógicas dos cursos e com a atividade quotidiana dos laboratórios.
A estrutura integra um Conselho Estratégico, que reúne a Presidência da ESEUL e a Coordenação do C-SIM, assegurando o alinhamento institucional e a definição das grandes orientações de desenvolvimento.
A Coordenação do C-SIM assume a responsabilidade de dinamizar o projeto, planear e articular atividades, promover a qualidade pedagógica e impulsionar iniciativas de desenvolvimento e inovação.
Este trabalho é desenvolvido por uma equipa constituída por 5 docentes de diferentes áreas da Enfermagem: Eu, Helga Rafael Henriques (fundamentos de enfermagem e enfermagem medico-cirurgica), Cristiana Firmino (enfermagem de reabilitação), Hugo Martins (enfermagem de Saúde Infantil e pediátrica), Sandra Risso (enfermagem de Saúde materna e obstétrica) e Maria Rosário Pinto (enfermagem medico-cirurgica).
Mas quisemos que a ligação aos cursos fosse uma dimensão estruturante do modelo. Por isso, contamos com elos de ligação, docentes com formação específica em simulação, que contribuem para identificar necessidades, articular atividades e promover a coerência das práticas pedagógicas.
A estrutura integra ainda apoio administrativo e operacional, articulando-se com outros serviços da instituição, nomeadamente com o Gabinete de Formação e Desenvolvimento Profissional, bem como com os serviços responsáveis pelo apoio técnico, logístico e de comunicação e imagem. Esta articulação é fundamental para assegurar a preparação e organização dos espaços, a gestão dos recursos, a manutenção dos equipamentos, a promoção e divulgação das iniciativas e o desenvolvimento de atividades de formação, contribuindo para o funcionamento integrado e eficiente do C-SIM.
Prevemos também o contributo de advisers nacionais e internacionais, com experiência reconhecida na área da simulação, bem como a colaboração de docentes convidados em função das unidades curriculares e das atividades desenvolvidas.
Este modelo procura criar condições para uma participação alargada e para a melhoria contínua.
Porque o C-SIM não é um projeto de uma equipa isolada. É um projeto coletivo, construído com os docentes, os estudantes e os diferentes intervenientes da Escola, ao serviço de uma formação de excelência.

O C-SIM apresenta também um modelo de organização inovador, designado C-SIM Hub. Em que consiste?

O C-SIM Hub representa a nossa visão de futuro.
Quisemos desenvolver um modelo que ultrapassasse a conceção tradicional de centro de simulação, exclusivamente dedicado ao apoio às aulas práticas.
O C-SIM Hub é um ecossistema que aproxima a educação, a investigação, a inovação tecnológica, a sustentabilidade e a responsabilidade social.
É o espaço conceptual e organizacional onde diferentes iniciativas se articulam, partilham recursos e criam oportunidades de colaboração.
Integra a Aprendizagem Baseada em Simulação (AB-Sim), o Programa de Doentes Simulados, o Living Lab, os Ambientes Imersivos e o C-SIM Eco, estabelecendo simultaneamente pontes com a comunidade e com parceiros externos.
A nossa ambição é que o C-SIM seja cada vez mais um espaço aberto ao desenvolvimento de ideias, à construção de conhecimento e à criação de soluções com impacto na formação e na qualidade dos cuidados de saúde.
Não queremos que a inovação aconteça apenas dentro dos laboratórios. Queremos que aquilo que aqui se aprende, experimenta e desenvolve possa produzir valor para as pessoas, para as instituições e para a sociedade.

equipa de enfermeiros em formação

A Aprendizagem Baseada em Simulação é um dos eixos estruturantes do C-SIM Hub. O que se pretende alcançar?

A iniciativa AB-Sim pretende promover uma integração progressiva, estruturada e pedagogicamente fundamentada da simulação nos diferentes ciclos de estudos e ofertas formativas da ESEUL.
Não se trata de introduzir atividades isoladas de simulação, mas de construir percursos de aprendizagem coerentes, nos quais as experiências se articulam com os resultados de aprendizagem e com as competências a desenvolver.
Procuramos apoiar os docentes na conceção de cenários, na escolha das modalidades mais adequadas, na facilitação das experiências e na avaliação dos resultados.
Este trabalho é particularmente importante porque a simulação exige preparação, conhecimento pedagógico e capacidade de reflexão sobre as práticas.
A nossa intenção é consolidar uma cultura institucional de aprendizagem baseada em simulação, na qual a experiência se transforma em conhecimento e o conhecimento se traduz em melhores cuidados.

O Programa de Doentes Simulados parece introduzir uma dimensão particularmente humana. Qual é a sua importância?

É, sem dúvida, uma das dimensões mais relevantes deste projeto.
Quando pensamos em simulação, associamo-la frequentemente a manequins sofisticados ou equipamentos tecnológicos. Contudo, muitas das competências mais complexas da Enfermagem desenvolvem-se na relação com o outro.
Comunicar uma notícia difícil, acolher uma pessoa em sofrimento, gerir uma situação de conflito, negociar um plano terapêutico ou apoiar uma família exige muito mais do que conhecimento técnico.
O Programa de Doentes Simulados permite envolver pessoas preparadas para representar situações clínicas e relacionais, criando experiências realistas, consistentes e pedagogicamente orientadas.
Estes participantes podem também contribuir para a reflexão dos estudantes, proporcionando uma perspetiva particularmente valiosa sobre a forma como os cuidados são percebidos por quem os recebe.
É uma oportunidade para trabalhar a escuta ativa, a empatia, a comunicação terapêutica, o respeito pela autonomia e a tomada de decisão partilhada.
Porque podemos simular uma situação clínica, mas aquilo que queremos desenvolver é uma relação de cuidado verdadeiramente humana.

E qual é o papel do Living Lab neste ecossistema?

O Living Lab traduz uma ideia muito simples, mas com enorme potencial: o C-SIM não deve ser apenas um espaço onde se aprende a utilizar soluções existentes, mas também um lugar onde se podem imaginar, desenvolver, experimentar e testar novas soluções.
Pretendemos aproximar docentes, estudantes, investigadores, profissionais de saúde, empresas e comunidade em processos colaborativos de cocriação, experimentação e inovação.
Isso pode envolver a conceção de dispositivos, a avaliação de equipamentos, a melhoria de procedimentos, o desenvolvimento de recursos pedagógicos ou o teste de tecnologias aplicadas aos cuidados de saúde.
O Living Lab disponibiliza também recursos de prototipagem e procura criar condições para que as ideias possam evoluir para soluções concretas, sujeitas a avaliação e aperfeiçoamento.
Mas há uma dimensão particularmente importante que distingue a nossa visão de Living Lab: a possibilidade de levar a experimentação e a inovação para além dos laboratórios da Escola, transformando as próprias comunidades em laboratórios vivos de aprendizagem, investigação e cocriação.
Neste modelo, as comunidades deixam de ser apenas destinatárias das intervenções e assumem um papel ativo na identificação de necessidades, na construção de soluções e na avaliação dos seus resultados. Os contextos reais de vida tornam-se, assim, espaços privilegiados de encontro entre o conhecimento científico, a experiência das pessoas e a prática dos cuidados.
É nesta perspetiva que se enquadra a articulação com iniciativas como o Projeto Saúd’Ouro, desenvolvido em contexto comunitário, ou com a Universidade Sénior, que oferecem oportunidades para aproximar estudantes, docentes e investigadores das pessoas e dos seus contextos de vida, promovendo experiências de aprendizagem, investigação participativa, literacia em saúde e desenvolvimento de soluções ajustadas às necessidades reais.
Esta ligação permite estabelecer uma relação dinâmica e bidirecional entre a Escola e a sociedade: levamos conhecimento e inovação às comunidades, mas também aprendemos com elas, com as suas experiências, os seus desafios e os seus saberes.
Desta forma, aproximamos a investigação e a inovação das necessidades efetivas das pessoas e dos profissionais.
Porque, para nós, um Living Lab não é apenas um laboratório onde se experimentam soluções. É um ecossistema onde a academia e a comunidade aprendem, investigam e inovam em conjunto, transformando necessidades reais em oportunidades de conhecimento e melhoria dos cuidados de saúde.

mulher com óculos virtuais

As tecnologias imersivas são frequentemente apresentadas como o futuro da educação. Como estão a ser integradas no C-SIM?

As tecnologias imersivas estão a abrir novas possibilidades para o ensino em Enfermagem, permitindo criar experiências de aprendizagem cada vez mais interativas, envolventes e próximas da realidade clínica. No C-SIM, procuramos explorar este potencial através da realidade virtual, da simulação digital, de recursos audiovisuais interativos e de outras tecnologias emergentes, integrando-os de forma pedagogicamente fundamentada nos diferentes contextos de formação.
Estas tecnologias permitem recriar situações que, pela sua complexidade, imprevisibilidade, raridade ou exigências de segurança, seriam difíceis de proporcionar em contextos reais. Oferecem, assim, oportunidades para desenvolver o raciocínio clínico, a tomada de decisão, a comunicação e o trabalho em equipa, num ambiente seguro e controlado.
No C-Sim, a área da Saúde Materna e Obstétrica constitui um exemplo particularmente expressivo deste potencial. Através de ambientes imersivos e da sua articulação com simuladores de elevada fidelidade, podemos proporcionar experiências de aprendizagem relacionadas com a gravidez, o trabalho de parto, o parto e o período pós-parto, incluindo situações de emergência obstétrica que exigem reconhecimento precoce, decisões rápidas e uma atuação coordenada da equipa.
Estas experiências permitem trabalhar não apenas competências técnicas e clínicas, mas também dimensões fundamentais como a comunicação com a mulher e a família, o respeito pelas suas decisões, a humanização dos cuidados e a gestão de situações emocionalmente exigentes.
É precisamente esta possibilidade de combinar tecnologia, realismo clínico e dimensão humana dos cuidados que consideramos especialmente promissora. A imersão não deve limitar-se a reproduzir ambientes ou procedimentos; deve permitir que os estudantes compreendam a complexidade das situações, experimentem diferentes decisões e reflitam sobre as suas implicações para as pessoas cuidadas.
Contudo, procuramos manter uma perspetiva crítica e cientificamente fundamentada sobre a utilização destas tecnologias. Nem todas as experiências exigem realidade virtual ou equipamentos tecnologicamente sofisticados. A escolha dos recursos deve resultar dos objetivos de aprendizagem e das competências que pretendemos desenvolver.
A questão central não é saber qual é a tecnologia mais recente, mas que valor acrescenta essa tecnologia à aprendizagem, ao desenvolvimento de competências e, em última análise, à qualidade e segurança dos cuidados.
Porque a verdadeira inovação pedagógica não está na tecnologia que utilizamos, mas na forma como a colocamos ao serviço da aprendizagem e das pessoas.

A sustentabilidade ambiental também integra a identidade do C-SIM. Como surgiu o C-SIM Eco?

A sustentabilidade constitui hoje uma responsabilidade incontornável das instituições de ensino superior e dos profissionais de saúde, estando diretamente alinhada com a Agenda 2030 das Nações Unidas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Os ambientes de simulação utilizam equipamentos, materiais e consumíveis que, se não forem adequadamente geridos, podem gerar desperdício significativo.
Com o C-SIM Eco, pretendemos integrar a sustentabilidade nas decisões quotidianas do Centro, promovendo a redução do desperdício, a utilização responsável dos recursos e a reutilização segura de materiais destinados à simulação.
Este compromisso traduz-se em medidas concretas, mas tem também uma dimensão educativa.
Queremos que os estudantes compreendam que a qualidade dos cuidados e a responsabilidade ambiental não são objetivos incompatíveis.
Pelo contrário, a capacidade de utilizar os recursos de forma criteriosa, segura e sustentável constitui uma competência cada vez mais relevante para os profissionais de saúde.
Cuidar das pessoas implica também cuidar dos recursos e do ambiente em que vivemos.

Há um claro papel  no C-SIM para além da formação académica.

Sem dúvida. A ligação à comunidade constitui uma componente essencial da nossa visão.
A Escola tem uma responsabilidade que ultrapassa a formação dos seus estudantes. Produz conhecimento, desenvolve competências e dispõe de recursos que podem contribuir para responder a necessidades concretas da sociedade.
Através do C-SIM Hub, pretendemos reforçar a colaboração com instituições de saúde, organizações, parceiros tecnológicos e entidades comunitárias.
Essa colaboração pode concretizar-se em projetos de investigação, formação de profissionais, desenvolvimento de soluções inovadoras, iniciativas de literacia em saúde e atividades de promoção da saúde.
A articulação com projetos comunitários e com o Living Lab permite-nos também aproximar a aprendizagem e a investigação dos contextos reais em que as pessoas vivem e cuidam da sua saúde.
Acreditamos que um centro de simulação deve ser um espaço de encontro entre a academia, os serviços de saúde e a comunidade.
É nessa interação que muitas vezes surgem as questões mais relevantes e as oportunidades mais transformadoras.

Quais são os principais eixos estratégicos que orientam o desenvolvimento deste Centro?

O desenvolvimento do C-SIM assenta em cinco eixos estratégicos que refletem a nossa preocupação em construir um Centro pedagogicamente sólido, cientificamente relevante, organizacionalmente eficiente e comprometido com a sustentabilidade.

O primeiro é a Qualidade e Inovação Pedagógica. Queremos harmonizar as práticas de simulação existentes na ESEUL, tendo como referência os Healthcare Simulation Standards of Best Practice da INACSL, promovendo a coerência metodológica, a qualidade das experiências e a melhoria contínua. Neste âmbito, pretendemos desenvolver mecanismos internos de apreciação e validação dos cenários e das atividades de simulação, garantindo o seu rigor pedagógico e científico.

O segundo eixo é o Desenvolvimento Profissional. A simulação exige competências pedagógicas específicas e, por isso, apostamos na formação dos docentes, no aprofundamento das metodologias de simulação clínica e na criação de condições para percursos de qualificação e certificação. Investir na qualificação dos docentes é investir diretamente na qualidade da aprendizagem dos estudantes.

O terceiro eixo é a Investigação. Pretendemos consolidar a investigação em simulação e inovação pedagógica, em articulação com o Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), promovendo a produção científica, a interdisciplinaridade e a transferência de conhecimento. Queremos também ampliar a participação em projetos e candidaturas de financiamento nacionais e europeus, reforçando a colaboração científica e a visibilidade internacional do Centro.

O quarto eixo é a Requalificação e Ampliação dos Espaços. A qualidade da simulação depende também de ambientes adequados, funcionais, acessíveis e capazes de responder à evolução das metodologias pedagógicas. Queremos continuar a reorganizar, otimizar e desenvolver os espaços existentes, acompanhando as necessidades dos cursos e criando novas oportunidades de aprendizagem e experimentação.

Finalmente, o quinto eixo é a Gestão Integrada e Sustentabilidade. Pretendemos consolidar um modelo de gestão que assegure a utilização eficiente dos espaços, equipamentos e materiais, com procedimentos organizados, acessíveis e transparentes. Este eixo inclui igualmente o desenvolvimento de uma identidade e de uma estratégia de comunicação que permitam dar visibilidade ao trabalho realizado e reforçar a ligação à comunidade académica e à sociedade.
Estes cinco eixos não são dimensões independentes. Complementam-se e reforçam-se mutuamente.
A inovação pedagógica exige docentes qualificados. A investigação permite avaliar e melhorar as práticas. A qualidade dos espaços e dos recursos cria condições para experiências significativas. E uma gestão integrada e sustentável permite dar continuidade a todo este trabalho.
Queremos que o crescimento do C-SIM não seja medido apenas pelo número de espaços, equipamentos ou atividades realizadas, mas pela qualidade da aprendizagem, pelo conhecimento produzido e pelo impacto que conseguimos gerar.

equipa de enfermeiros em formação

Quais são os principais desafios e ambições do C-SIM para os próximos anos?

A nossa visão institucional é clara: ser um centro de referência nacional e internacional em simulação clínica, contribuindo para cuidados humanos, seguros e sustentáveis.
Esta visão constitui simultaneamente uma ambição e um compromisso. Não se trata apenas de alcançar reconhecimento institucional, mas de construir uma estrutura capaz de produzir conhecimento, desenvolver práticas inovadoras e contribuir efetivamente para a qualidade da formação e dos cuidados de saúde.
O nosso grande desafio é consolidar este projeto como uma estrutura de referência na aprendizagem baseada em simulação, na investigação e na inovação em Enfermagem.
Isso implica concretizar progressivamente as prioridades estratégicas que definimos: reforçar a qualidade pedagógica, investir na qualificação dos docentes, desenvolver investigação, requalificar e ampliar os espaços e consolidar um modelo de gestão integrado e sustentável.
Queremos reforçar a investigação sobre a eficácia das estratégias de simulação, desenvolver projetos colaborativos e aprofundar a articulação com instituições nacionais e internacionais.
Pretendemos também continuar a explorar o potencial das tecnologias emergentes, sem perder de vista aquilo que constitui a essência da Enfermagem: a relação humana, o pensamento crítico, a responsabilidade profissional e o compromisso com a qualidade dos cuidados.
Mas há uma ambição que atravessa todas as outras: criar condições para que estudantes, docentes e profissionais encontrem no C-SIM um espaço onde possam experimentar, partilhar conhecimento, desafiar práticas estabelecidas e construir novas respostas.
Não ambicionamos apenas ter mais simulação. Ambicionamos ter melhor aprendizagem, mais conhecimento e maior impacto na qualidade dos cuidados de saúde.


Para terminar, se tivesse de resumir o C-SIM numa mensagem, qual seria?

Diria que o C-SIM é um lugar onde o conhecimento ganha vida.
Onde os estudantes podem enfrentar desafios antes de os encontrar na prática. Onde os docentes transformam conhecimento científico em experiências significativas. Onde investigadores e parceiros encontram oportunidades para desenvolver e testar novas ideias.
Mas, acima de tudo, é um espaço onde procuramos manter presente a razão de ser da Enfermagem: as pessoas.
Porque, por detrás de cada cenário simulado, de cada decisão treinada e de cada competência desenvolvida, existe um propósito maior: contribuir para cuidados mais seguros, mais competentes e mais humanos.
No C-SIM, simulamos situações, desenvolvemos competências e preparamos decisões. Mas aquilo que verdadeiramente queremos transformar é a forma como aprendemos e cuidamos.

 


Equipa Coordenadora do C-SIM 

Helga R. Henriques (Coord.)

Cristiana Firmino

Hugo Martins

Leonel Losquinhos

Sandra Risso

Maria Rosário Pinto
 

Recursos internos

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Contatos

CSimgeral@enfermagem.ulisboa.pt