É preciso ouvir o ritmo do coração

Este ano, a campanha “Don’t Miss a Beat” da World Heart Federation lembra-nos de que as doenças cardiovasculares podem, por vezes, permanecer silenciosas ou apresentar sinais e sintomas que não devemos ignorar. Reconhecer esses sinais, identificar os fatores de risco e agir precocemente são passos fundamentais para proteger a saúde cardiovascular.
As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em todo o mundo, provocando cerca de 20 milhões de mortes por ano, o que representa aproximadamente um terço de todas as mortes a nível global.
Muitos destes acontecimentos estão relacionados com fatores de risco modificáveis, como o tabagismo, a alimentação, a inatividade física, a hipertensão arterial e outros fatores metabólicos.
Mas falar do coração não é apenas falar de doença.
É falar de vida, movimento, autonomia, participação e qualidade de vida.
É aqui que a Enfermagem assume um papel fundamental.
A reabilitação acompanha a pessoa na recuperação e manutenção da sua funcionalidade após uma doença ou acontecimento cardiovascular, ajudando-a a desenvolver estratégias para retomar, tanto quanto possível, as suas atividades quotidianas e os seus papéis familiares, sociais e profissionais.


A Organização Mundial da Saúde reconhece a reabilitação como uma intervenção essencial para otimizar a funcionalidade, reduzir a incapacidade e promover a participação das pessoas na vida quotidiana. Entre as situações que podem beneficiar de reabilitação encontram-se, precisamente, as doenças cardíacas e o acidente vascular cerebral.


Cuidar do coração começa antes da doença.
A prevenção cardiovascular faz-se também através das escolhas e dos comportamentos do quotidiano.
Mexer-se mais.
Caminhar, subir escadas, deslocar-se ativamente, praticar exercício ou simplesmente interromper períodos prolongados sentados são formas de aumentar a atividade física. A evidência demonstra que a atividade física regular contribui para prevenir e controlar as doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial e outras doenças crónicas.


Conhecer os seus números.
A pressão arterial, a glicemia e os níveis de colesterol são importantes indicadores de saúde cardiovascular. A identificação precoce do risco permite intervir mais cedo.
Não fumar.
Adotar uma alimentação equilibrada, privilegiando alimentos pouco processados, frutas e hortícolas, e moderando o consumo de sal, açúcares e gorduras.
Promover o exercício adequado, educar para a saúde, apoiar a gestão dos fatores de risco, prevenir complicações, estimular o autocuidado e favorecer a participação da pessoa em seu processo de recuperação são dimensões que integram uma abordagem centrada na funcionalidade e na qualidade de vida.
Por isso, cuidar do coração também é promover o movimento, a autonomia e a participação.


Coração saudável, sociedade saudável!
A saúde cardiovascular relaciona-se diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.


ODS 3 | Saúde de Qualidade
Promover a prevenção, o diagnóstico precoce, o tratamento e a reabilitação das doenças cardiovasculares contribui para melhorar a saúde e o bem-estar ao longo do ciclo de vida.


ODS 4 | Educação de Qualidade
A educação para a saúde permite que cidadãos, famílias e comunidades desenvolvam conhecimentos e competências para tomar decisões mais informadas sobre a sua saúde.


ODS 10 | Reduzir as Desigualdades
A saúde cardiovascular também é uma questão de equidade. A prevenção, os cuidados de saúde e a reabilitação devem estar acessíveis às pessoas, independentemente da sua condição social, económica ou funcional.


Neste Dia Mundial do Coração, não espere pelo aviso. 

Porque um coração saudável não depende apenas do coração.
No dia 29 de setembro, a mensagem é simples:
Não perca o ritmo. Cuide do seu coração.

 

Este artigo é da autoria de Cristiana Firmino.

Professora Adjunta
Departamento de Enfermagem de Reabilitação
Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa 
 

coração desenhado